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segunda-feira, 16 de julho de 2012

OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO


Esta cena é muito comum: você sente aquela dorzinha de cabeça no final do dia e logo ingere um analgésico. Na semana seguinte, aparece uma queimação no estômago, e você corre até a gaveta de remédios para tomar um antiácido. E, geralmente, faz tudo isso sem a orientação de um médico. Cuidado! A automedicação pode mascarar sintomas e agravar doenças.
 “Por influência da cultura indígena, os brasileiros têm o costume de usar ervas e medicamentos fitoterápicos para tratar a dor e o mal-estar. O problema é que muitos acreditam que todos os remédios podem ser consumidos da mesma maneira, sem uma orientação profissional”, comenta o gastroenterologista Stephan Geocze, membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para a psicóloga Marisa de Abreu, a falta de tolerância diante da dor motiva as pessoas a correrem para a farmácia mais próxima ao sinal do primeiro incômodo. “Temos o instinto de fugir do desconforto desde que nascemos. O bebê, por exemplo, chora de fome, frio e dor. E é preciso que seja assim, para que ele possa ser atendido. Porém, a partir da vida adulta, muitas dores deveriam ser suportadas e interpretadas como um sinal de alerta de que algo não vai bem e que, portanto, um médico deve ser consultado. Mas como as pessoas estão cada vez mais ansiosas e estressadas, elas acabam recorrendo aos comprimidos e xaropes como um alívio imediato para seu problema”, explica.
 
Já para o clínico geral Paulo Olzon Monteiro da Silva, também da Unifesp, a enorme quantidade de farmácias e a facilidade na compra de remédios favorecem a prática. “Esse é um hábito gravíssimo e, infelizmente, muito comum”, alerta. Paulo salienta que alguns medicamentos, como os laxantes, são consumidos de forma corriqueira por grande parte da população: “Eles podem causar dependência, entre outros danos ainda mais graves ao organismo”. E, além do vício, a automedicação pode levar a erros de diagnósticos e à escolha de uma terapia inadequada, retardando a descoberta de uma doença ou até mesmo agravando-a. “É justamente para evitar erros que o médico faz o exame clínico e solicita a realização de exames complementares. Então, com os resultados em mãos, ele faz o diagnóstico e prescreve o tratamento adequado”, comenta Paulo.
 
E quem costuma tomar certo tipo remédio por conta própria, porque ele já havia sido prescrito por seu médico anteriormente, também está cometendo um erro. Afinal, se houve a reincidência dos sintomas, provavelmente o tratamento já não é mais eficaz! “Há, ainda, o risco de interações medicamentosas, que podem causar graves consequências para a saúde. É preciso alertar que apenas o profissional tem competência para avaliar que tipos de medicamentos podem ser tomados em conjunto”, ensina o especialista.
 
Mas como saber se a dor de cabeça é motivo para agendar uma consulta? Segundo Stephan Geocze, é importante usar o bom senso. “Febre e dor moderada só devem ser toleradas por um curto período. Depois de 24 horas, procure um médico. Porém, no caso de dor intensa, a busca por auxílio deve ser imediata”, conclui.

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