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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qual o limite saudável do ciúme?


Diz o ditado que o ciúme é o tempero do amor. E como sal ou pimenta, ele precisa ser bem dosado para que o relacionamento não fique intragável. Não há receita que determine a medida ideal, mas o exagero fica claro quando as desconfianças atrapalham constantemente um casal. 

Foi o que aconteceu com a administradora Maria Luiza, de 29 anos, que quase perdeu o noivo para o ciúme: ligava várias vezes ao dia e passava na porta da casa dele para checar se ele estava mesmo lá. “Tive sérios problemas de convivência, tudo era em torno do ciúme, era a única coisa que me importava”, conta ela, que chegou a proibir que o namorado fosse amigo de mulheres.

O ciúme excessivo é uma preocupação sem fundamento e irracional de uma possível infidelidade do parceiro. “Se o ciúme começa a limitar a vida dos indivíduos é sinal de que alguma coisa não está bem”, aponta a psicóloga Andrea Lorena. Ela diz que alguns casos viram compulsão e envolvem até a família: “Uma paciente tinha ciúme da irmã e das filhas do namorado”, conta.
Revirando bolsa, carteira e telefone
Ciúme demais não é um sentimento isolado: ele vem acompanhado de insegurança, inferioridade, baixa autoestima e até raiva. Como reflexo disso começam os comportamentos controladores e que desrespeitam a individualidade do outro. “O ciumento passa a examinar bolsas, carteiras, quer saber onde o parceiro está e com quem está, pode escutar telefonemas, abrir correspondências, seguir o amado e até mesmo contratar um detetive”, descreve a psicanalista Araceli Albino. 


Situações embaraçosas e descontroladas trazem prejuízos significativos para o relacionamento amoroso, para o ciumento e para o alvo do ciúme. Foi prestes a azedar a relação que Maria Luiza percebeu que passou do limite. “Estava me prejudicando em todas as áreas da minha vida. Não conseguia me concentrar nos estudos nem no trabalho. Ciúme demais desestabiliza”, diz. 

Reconhecer o ciúme excessivo é, aliás, o primeiro passo para controlar a situação. O apoio de familiares, amigos e do parceiro são importantes, mas o diagnóstico feito por um especialista é essencial. “O ciúme patológico é um desafio, pois envolve sofrimento e, em casos mais extremos, podem ocorrer diversos transtornos mentais associados”, ressalta Araceli. Nesses casos, o tratamento psicológico é o mais indicado e investiga a origem da insegurança do paciente. O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo oferece atendimento especializado através do Ambulatório dos Transtornos do Impulso (AMITI).

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