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domingo, 10 de julho de 2011

A revolução feminina



O sexo frágil não tem medo de nada. Dá setenças com a toga do juiz, comanda empresas gigantes, maneja bisturis. A cada dia avança sobre feudos masculinos tradicionais. Já aparece em tropas de choque da Polícia Militar, comanda Boeing, constrói prédios. A mulher encontra-se na ponta de um processo que está transformando a sociedade brasileira. A mudança só agora vem sendo mensurada e estudada adequadamente pelos sociólogos. Em São Paulo, maior centro empregador do país, metade do contingente de trabalhadores é formado por mulheres. Elas competem ombro a ombro com os homens na captura de novas vagas. Um estudo do Ministério do Trabalho mostra que as mulheres derrotaram os homens nas vagas para dentista, veterinário e médico. Dos contratados, 83% são mulheres.

Gradativamente, elas se instalam no rentabilíssimo meio dos que administram fortunas. Há mais de 250 mulheres dirigindo operações de renda fixa e renda variável nos grandes bancos de investimento. De cada grupo de dez médicos, três são mulheres. Metade do corpo de advogados do país é formada por doutoras. Elas abraçaram com força a profissão de juiz. Já são 35% dos quadros. Para onde quer que se olhe, as mulheres ganham terreno. Não ocorre uma guerra entre homens e mulheres. O que há é apenas um movimento de modernização social. Mas, se fosse uma guerra, as mulheres estariam no ataque.

A discriminação cedeu mais fácil em empresas grandes e modernas, uma vez que elas estão em contato próximo com economias – e sociedades – que se modernizaram há mais tempo. Em outros campos, a pedra do preconceito continua no caminho.

Existe, portanto, uma transformação indiscutível em andamento. Ela não foi provocada por lutas políticas, ou por concessão dos patrões, ou porque a sociedade tenha tomado a defesa das oprimidas. As razões são mais amplas. Houve uma intensa urbanização do país nos últimos 30 anos, o que mudou comportamentos, gerou necessidades e também oportunidades. A cidade requer mais dinheiro para a sobrevivência, fator que tirou a mulher de suas atividades da casa e a levou para a fábrica ou ao escritório. A classe média ficou com o orçamento mais curto. As moças tiveram de aproveitar o que aprenderam na escola para reforçar as contas de casa. Num país que amadureceu, as mulheres aboliram os freios que as mantinham para dentro da cerca do jardim. Além disso, a economia se tornou mais exigente e o fator sexo passou a perder o seu peso relativo.

A questão da mulher na sociedade brasileira e sua função como trabalhadora tem sido tratada de maneira ainda incompleta. Não é novidade: outras questões também são manejadas sem base em estudos mais apurados. Entre esses temas clássicos encontram-se os sem-terra; os negros; o trabalho do menor e a economia informal. As mulheres, assim, enfrentam dois tipos de preconceito. Por um deles, ainda são vistas como figura secundária, um fator de auxílio do homem. Pelo outro, são consideradas como o centro de toda a opressão, um ser frágil que precisa ser protegido pela lei, caso contrário não consegue emprego nem importância social.

Quando se olha para alguns números, ainda que não componham um quadro estatístico amplo, nota-se que a mulher ganhou importância maior do que lhe normalmente é atribuída. Enquanto a discussão continua em ambientes acadêmicos ou reuniões feministas, a mulher está destruindo silenciosamente o mito de desigualdade, sem que ninguém precise puxá-la pelo braço. Ela já sabe andar sozinha.


fonte:http://www.sexocristao.com

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